Capítulo 3 – Mudando a cidade

BMNM - roda de conversa com Fernanda facilitadoraTendo escolhido uma causa na fase anterior, entre janeiro e dezembro de 2002 os grupos de jovens de cada escola elaboraram e implementaram um projeto social, articulados com seus pais, educadores, jornalistas, representantes do poder público e cerca de 80 organizações locais.

Como nas gincanas tradicionais, as atividades realizadas pelos grupos foram sendo pontuadas. Nos Fóruns Jovens de Projetos Sociais os jovens apresentavam seus projetos para uma banca examinadora que atribuía pontos segundo critérios e princípios estabelecidos pelos próprios estudantes. Para concluir essa fase foi realizado um grande evento de encerramento, que reuniu mais de 400 pessoas.

{ Carta de Princípios da Gincana da Cidadania }

Introdução

Assim como a bússola não indica as trilhas que devemos pegar, a carta de princípios não é como um regimento, que estabelece o que pode e o que não pode ser feito. Cada um pode seguir um caminho próprio, mas é fundamental que todos sigam num mesmo sentido.Ela é, portanto, um documento de orientação: orienta os nossos propósitos, a nossa conduta (grupal e pessoal), as nossas decisões e as nossas atitudes.

Nosso desafio é tirar os princípios do papel e praticá-los. Escritos eles são bonitos, mas inúteis. Uma carta de princípios só existe mesmo se for praticada e vivenciada.

Protagonismo Juvenil

Na Gincana o jovem não é visto como problema e sim como parte da solução! Ele é o protagonista na solução de problemas reais na escola, na comunidade e na vida social mais ampla. Neste sentido, o Projeto constitui-se como um espaço para que o jovem possa desenvolver seu potencial de transformação social. O envolvimento da comunidade escolar, educadores, pais e outros atores no desenvolvimento das propostas dos jovens são de suma importância para a potencialização de resultados das mesmas e essa participação deve ser valorizada.

A Gincana não é feita “para” o jovem ou “sobre” o jovem e sim “com” o jovem. Mais do que um beneficiário, o adolescente é um sujeito ativo na construção da Gincana. Desta forma, desde que respeitem a Carta de Princípios, os participantes têm autonomia para criar e trilhar caminhos dentro do Projeto.

Regido por essa premissa o grupo será pontuado de acordo com a participação dos jovens do grupo multiplicador. A forma como se dá a participação de todos demonstra o quanto o grupo está comprometido em propor soluções e também com que nível de autonomia.

Solidariedade

Ainda que a Gincana seja uma competição entre causas, o princípio que deve reger as ações é o da solidariedade entre os participantes. O trabalho em equipe e a parceria são mais importantes do que pontos e prêmios.

Desta forma, a Gincana exalta as ações de solidariedade e compreensão entre os participantes e repudia qualquer tipo de violência, seja moral, física ou psicológica, e acredita na resolução pacífica de conflitos, impasses e divergências.

Democracia

A democracia é uma ordem de convivência em que todos tomam parte das decisões que afetam a vida em sociedade. Assim, a participação na Gincana é aberta e democrática, o que quer dizer que o trabalho em grupo, o debate e o consenso têm que estar presentes nas decisões e nos projetos que vierem a ser realizados. Nada pode ser fruto de uma vontade imposta, de quem quer que seja.

Afinal, uma sociedade não é formada por pessoas iguais. O diferente é rico e devemos aprender e conviver com ele. Não se trata apenas de estar aberto á participação de mais e diferentes pessoas. Trata-se de promover esta diversidade.

Criatividade

A falta de dinheiro ou de recursos materiais não deve impedir a realização de atividades dentro da Gincana. Com criatividade, sempre é possível fazer “muito” com “pouco”. Vamos buscar propostas e formas inovadoras de desenvolvê-las, afinal, para que somos jovens? Para inventar o que ainda não existe!

As formas como o grupo opta por solucionar os problemas da sua comunidade tem que ser mais criativas do que nunca. Já estamos cansados de soluções velhas para problemas velhos. O papel do jovem é buscar soluções diferentes para esses problemas velhos diminuírem em sua intensidade e freqüência ou desaparecerem!

Ação Multiplicadora

A Gincana é um trampolim, não uma bengala.

Não adianta falar em cidadania sem praticá-la e muito menos “estar” cidadão enquanto a Gincana acontece e depois deixar de “ser” cidadão quando ela acabar. Dessa forma, partindo de cada um, a multiplicação da proposta e dos ideais de cada projeto é muito possível.

Compromisso com a Transformação

Atuação social não é sinônimo de caridade ou de ajuda aos necessitados. Embora este tipo de prática seja necessário (e, muitas vezes, indispensável) não basta para amenizar o sofrimento das pessoas: é preciso promover a sua dignidade e felicidade. Diante disso, o compromisso da Gincana é com a transformação da realidade, com a raiz dos problemas, e não somente com os seus “sintomas”.

Achar um problema que encaixe na nossa vontade de atuar é fácil, difícil é conseguir transformações reais nos problemas que escolhemos pra atacar! Nossos projetos estão buscando soluções para os problemas e não problemas para a nossa ação!

Além disso, a transformação social está intimamente ligada com a transformação pessoal de quem está promovendo a ação. Por exemplo, o primeiro foco de um projeto de coleta seletiva de lixo, é o dia a dia dos promotores do projeto. Enfim, deve haver coerência entre o que se fala e o que se faz.

{ Fazendo um projeto social }

Para aprender a elaborar um projeto social cerca de 120 jovens e educadores participaram de um encontro chamado Botando a Mão na Massa, que aconteceu durante dois finais de semana na Serra da Cantareira, em São Paulo.

Além de estreitar as relações entre os participantes da Gincana, durante o evento os grupos criaram e implantaram um projeto para resolver um problema do lugar onde estavam alojados, como por exemplo, o excesso de uso de copos de plástico, a falta de integração entre os alunos de escolas diferentes, entre outros. Com essa experiência eles voltaram para Santos e elaboraram um projeto social para implementar na sua comunidade.

Para facilitar o trabalho dos grupos foi utilizado um recurso lúdico apelidado pelos jovens de Wilson, um amigo imaginário em forma de quebra-cabeças cujas peças traziam instruções para a elaboração do projeto.

{ Material Educativo }

wilson_gincana
[Faça o download]

{ Fotos }

Anúncios